Mostrando postagens com marcador COTIDIANO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COTIDIANO. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Observar e Absorver – Eduardo Marinho.

O vídeo “Observar e Absorver” de Eduardo Marinho é uma crítica completa ao ideal capitalista dos últimos séculos.



A alienação do homem, teorizada por Marx, nunca foi tão visível como nos dias de hoje. As pessoas já pouco lutam contra esta alienação, aprenderam a conviver pacífica e passivamente com os malefícios do capitalismo, não tendo mais nem mesmo o trabalho de refletir sobre o assunto. Nesse panorama aparece Eduardo Marinho, um “artista útil” que, acima de tudo, exerce sua função de ser pensante.

Em pouco mais de dez minutos, Eduardo filosofa sobre a sociedade, suas necessidades, falhas e desequilíbrios de forma emblemática. Mais que um crítico externo, o rapaz se submeteu a ir viver na rua, no resto, como ele mesmo diz, para assim seguir seus ideais e ser um pouco mais livre.

Eduardo fala sobre assuntos que não são novos, mas que hoje são tidos como devaneios, coisas que já não compensam mais ser debatidas. O vídeo ganha ainda mais propriedade por ser local e contemporâneo, nele são expostas mais que teorias ensinadas em aulas de sociologia, são expostas experiências vividas por um brasileiro e a lição que este conseguiu tirar delas.

Achei algumas opiniões de Marinho até um pouco exageradas, mas como ele mesmo escreve em um cartaz, “loucos abrem caminhos que mais tarde serão percorridos pelos sábios”, ou seja, ás vezes é preciso que alguém seja um pouco agressivo em demasia sobre um tema para que assim, sejam abertos precedentes para discussão dele. E é este, a meu ver, o objetivo central do texto: Instigar a reflexão e a discussão sobre os temas abordados. Espero que o vídeo consiga cumprir seu objetivo, pois concordo com Eduardo, a sociedade tem muita coisa errada e precisa de gente reflexiva em todos os seus meios.



Abaixo algumas frases que aparecem no vídeo e que se sustentam por si só:

“Privilégio come direito.”

“A necessidade é abstrata.”

“Não quero que minha vida seja usada para a manutenção desse estado da sociedade. Eu não sei o que eu vou fazer, mas sei o que não vou fazer.”

“Loucos abrem caminhos que mais tarde serão percorridos pelos sábios.”

“Que vencedor que nada, não estou aqui para competir.”

“Enquanto houver essa estrutura partidária no país, não haverá democracia.”

“Rico é muito inseguro, o que é natural, afinal depende de pobre para tudo.”

“É engraçado falarem que a sociedade tem oportunidade para todo mundo, que pobre é pobre porque é incompetente. (Mentira) A competência do pobre foi cassada no ensino.”

“Não queria mais depender dos meus pais, estava com diferenças ideológicas muito grandes com eles.”

“Nunca aceitei a pecha de rebelde, não sou rebelde, apenas o que a sociedade me oferece não me satisfaz.”

“Artista reflexivo é raridade, como é raridade gente reflexiva em qualquer meio.”

“Tem benefício material que não vale o prejuízo moral.”

“A solidariedade para eles (a elite) é grupal, são eles, o grupo deles, contra o resto. O resto somos nós e eu prefiro fazer parte do resto, porque [...] minha pobreza é a minha riqueza e, nessa sociedade competitiva, a minha derrota é a minha vitória.”

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E se...

Muito bom esse comercial.


 

A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da Última Semana

Tão atual...


Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.

O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais

Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tecnologia a 300km/h

Fui ao show de stand up do Marco Luque domingão. Bom show, mas não é sombra do que fui a dois anos atrás do Danilo Gentili. Não que Danilo seja melhor que o Luque, mas é que stand up pra mim já não é mais novidade, há dois anos atrás aquilo era mágico. E não, não fui em mais shows de lá até aqui, acontece que já vi tanta coisa de stand up na internet que conseguia prever as piadas do cara.

A internet tira todo o sabor das coisas. Marco Luque perguntou se alguém já tinha visto o outro show dele, Labutaria, um cara da platéia respondeu que sim, ele perguntou onde, o cara respondeu “no youtube”. #Todosri.

Fico pensando se poderia haver o seriado Chaves no século XXI. Duvido que o Kiko, a Chiquinha e o Nhonho sairiam de casa para brincar com o Chaves se tivessem vídeo game e computador.

Dizem que a tecnologia facilitou nossas vidas, facilitou mesmo, por isso agora a gente consegue fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, sem dar a devida atenção a nada. E a internet é a mestra de toda essa tecnologia do mal, ela nos mostra tanta coisa que é impossível se desligar dessa ferramente diabólica.

Futebol também é outro exemplo, todos dizem que antigamente lotavam-se estádios. Claro, antes ou era estádio ou era radinho, hoje você vê o jogo por 250 ângulos na TV Fechada.

Tecnologia tende ao comodismo e penso que o filme Wall-e prevê nosso futuro. Todos gordinhos com ossos tão finos que nem saem mais da poltrona.

Cuidado galera. Recomendo á todos que se desliguem da tecnologia malígna e corram para as colinas. Bora vender coco na Bahêa!

(escrevi de qualquer jeito e em 15 min, foda-se)

A música abaixo reflete todo esse meu sentimento. É MUITO FODA!


O Que Sobrou Do Céu

O Rappa

O, la lá, o la lá, ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê
O, la lá, o la lá, ê ê ah
O, la lá, o la lá, ê ê
Faltou luz mas era dia, o sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia... di-ia
Faltou luz mas era dia, dia, dia
O som das crianças brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal
O chá pra curar esta azia
Um bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências de baixa tecnologia
Todas as cores escondidas nas nuvens da rotina
Pra gente ver... por entre prédios e nós...
Pra gente ver... o que sobrou do céu... o la lá

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Geração Fanta

Certo dia estava eu googlando sobre humberto gessinger x renato russo e acabei achando este texto numa página de discussão no site Pearl Jam Brasil. Achei tão verdade que quis postar aqui. É de janeiro de 2006.

Geração Fanta

Sou do tempo em que "a juventude é uma banda/ numa propaganda de refrigerantesss" era uma crítica. Os versos de Humberto Gessinger eram, no fundo, uma antevisão apocalíptica da transformação do rock’n’roll - e de todas as paixões que há quase 50 anos lhe dão vida e consistência - num jingle. Minha geração, aliás, se identificou com uma das primeiras canções de Renato Russo a ponto de transformá-la num hino anarquista. "Somos os filhos da revolução/ Somos burgueses sem religião/ Nós somos o futuro da nação/ Geração Coca-Cola" era a nossa "Marselhesa". Por isso, não posso reprimir a tristeza ao ver o anúncio de Fanta estrelado pelo Jota Quest.

Na virada de ano, o quinteto mineiro assinou um inédito (em se tratando de rock brasileiro) acordo de patrocínio com a Coca-Cola, dona da marca Fanta. Por cerca de R$ 1,5 milhão, o Jota Quest terá uma turnê nacional bancada pela fábrica de cola, estrelará campanhas publicitárias, terá o logotipo estampado nas latinhas de Fanta. É uma forma honesta de ganhar dinheiro, não há dúvida quanto a isso. Nos anos 80, a grande Blitz serviu de trampolim para uma campanha do Instituto Brasileiro do Café. Nos anos 90, o colossal bardo da sarjeta nova-iorquina, Lou Reed, foi garoto-propaganda do cartão de crédito American Express. Ano passado, o próprio Jota Quest vendeu seu maior sucesso, "Fácil", para um anúncio de TV do Bradesco. O que torna, então, a campanha da Fanta tão melancólica? O simbolismo, meus amigos, o simbolismo.

A música que incluía os versos "a juventude é uma banda/ numa propaganda de refrigerantesss" (Gessinger literalmente dava um gás nos ésses) se chamava "Terra de gigantes" e fazia parte da obra-prima que os Engenheiros do Hawaii lançaram em 1986, "A revolta dos dândis". O título do disco, nunca é demais lembrar, foi tirado de um dos capítulos do livro "O homem revoltado", do filósofo e romancista franco-argelino Albert Camus. Existencialismo nos pampas. Nos sulcos (era o tempo do LP!) do segundo trabalho do trio gaúcho, então formado por Gessinger (voz e baixo), Augusto Licks (guitarra) e Carlos Maltz (bateria), podia-se pescar ainda versos como "eu me sinto um estrangeiro/ Passageiro de algum trem/ que não passa por aqui/ que não passa de ilusão" ("A revolta dos dândis I") ou "eu posso estar completamente enganado/ posso estar correndo pro lado errado/ mas a dúvida é o preço da pureza/ é inútil ter certeza" ("Infinita highway"). Ou aqueles que são os meus favoritos: "Você sabe, o que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors/ Por mais que a gente grite/ o silêncio é sempre maior" ("Além dos outdoors").

Aquém dos outdoors, "De volta ao planeta", segundo CD de Rogério Flausino (voz), Marco Túlio (guitarra), Márcio Buzelin (teclados), PJ (baixo) e Paulinho Fonseca (bateria), lançado ano retrasado, soa como uma coletânea de jingles. "7:15 eu acordo/ e começo a lembrar/ do que ainda não me esqueci", filosofa "Sempre assim", a segunda faixa. A oitava, "O vento", fez sucesso com versos como "você passou perto de mim/ sem que eu pudesse entender/ Levou os meus sentidos todos pra você". E a música que abre e dá título ao álbum parece ser o ápice da consciência social do Jota Quest: "Nana Banana Nanananana Banana/ Nana Banana Nanananana Banana/ Que tá faltando emprego no planeta dos macacos".

"Faroeste caboclo", da Legião Urbana, tinha 159 versos, uma saga alegórica no coração do país. Qualquer criança de 5 anos a conhecia de cor e salteado no Brasil de 1987/88. Não posso acreditar que essa mesma garotada tenha crescido e hoje, aos 17, 18 anos, ache transcendental "um dia feliz/ às vezes é muito raro/ falar é complicado/ quero uma canção.../ Fácil, extremamente fácil/ pra você, e eu e todo mundo cantar junto". Não era isso que Cazuza & Frejat tinham em mente quando escreveram "Rock da descerebração". E que não venham brandido números - centenas de milhares - de vendagem. Arte é outro papo. Não acredito no slogan "um milhão de moscas não podem estar erradas: coma cocô". Fernando Collor, por exemplo, foi eleito presidente por 35 milhões.

Aliás, desde que a modernidade brasileira passou a ser encarnada pelos mauricinhos (ou fernandinhos) parte de nossa música, a mais evidente parte dela, passou por um processo grosseiro de pasteurização. Primeiro, na cola de Collor, sertanejos sem cheiro de terra. Depois, na Era FH, pagodeiros sem cheiro de morro e baianos sem cheiro de dendê. Agora, com a queda das vendas desses gêneros, se destaca um rock sem cheiro de garagem. O Jota Quest é formado por bons músicos, a começar pelo vocalista Rogério Flausino, apesar dos seus trejeitos david-coverdalianos. No entanto, nem eles nem seus companheiros menos superexpostos na mídia - grupos como Charlie Brown Jr. e LS Jack - têm nada a dizer. Fazem um rock cuja insipidez é mascarada por uma camada de suingue, rock feito no preciso momento em que a atitude se torna pose. Vendo o Jota Quest cantando Roberto Carlos, Tim Maia e "Happy day" na MTV, aliás, eu me pergunto se se trata mesmo de um grupo de rock ou de uma banda de baile, mais aparentada do Roupa Nova do que dos Paralamas, do Pato Fu ou do Rappa.


Artur Dapieve
(Jonalista do Jornal O Globo)

Ensino Superior Privado: Os alunos farão à diferença.

Um breve ensaio sobre as questões da educação no Brasil para as classes C, D e E.

Basicamente, o desenvolvimento de mercado de bens duráveis é tido sempre na seguinte ordem: Quantidade depois qualidade. Primeiro você vende o máximo que pode para todos, quando vê que todos já possuem seu produto, tenta criar algo melhor para substituir aquilo que já vendeu. Logo se percebe que o melhor incentivo para o avanço em qualidade destes produtos é a saturação do mercado. Felizmente, tratando-se de ensino superior privado, isto vem acontecendo.

Faça uma estatística de quantas pessoas cursavam graduação em 2000 e quantas cursam agora. Não tenho dados, mas arrisco dizer que a diferença é enorme. O mercado de educação superior se expandiu e com ele cresceram as opções. Se antigamente você, aluno de escola pública, de classe C ou menor, só tinha a opção de cursar ou não graduação na faculdade mais próxima e ainda assim com muito custo, hoje seu leque de opções é muito maior.

E quando podemos escolher, claro, tendemos para o melhor. E como definir qual universidade é melhor? Instalações? Sim. Corpo docente? Sim. Nível intelectual dos alunos e futuros colegas? Esse, sem dúvida, é o grande diferencial. Por que? Se a média de uma classe, em uma escala de 0 a 10, é 5, a classe é considerada mediana, se a classe é mediana, terá um ensino mediano, com um professor exigindo apenas o mediano e os alunos se tornaram profissionais medianos. Fato, indiferente do nível do professor, da qualidade das instalações, o que define seu aprendizado é você... quando você estuda em particular. Se você está em uma sala com 50 pessoas, o que define o aprendizado sois vós, 50 alunos, você terá de acompanhar sua classe e, fatalmente, poderá ter sua capacidade sub-aproveitada caso a sala esteja inferior ao seu nível.

Logo, a melhor medida para uma universidade se destacar é a seleção do aluno pela sua capacidade intelectual. Não dá para ela selecionar alunos por sua capacidade financeira, cobrando preços muito altos, pois se o futuro estudante é provido de um grande capital financeiro, certamente ele estudou em escola particular até ali e fará uma universidade federal. Também não dá para a faculdade simplesmente aceitar qualquer um que possa pagar as mensalidades, como acontece hoje, já que, como foi dito, a partir de agora temos escolhas e se vermos que uma instituição se nivela por baixo, certamente não será escolhida, ou será apenas pelos piores alunos, tendo cada vez menos prestígio.

Esta medida, se utilizada pelas universidades privadas, também influenciaria no ensino precedente ao superior. Pois hoje, o ensino superior privado é nivelado e não exige muito para ser alcançado, financeira e intelectualmente, logo, para o aluno que cursa ensino fundamental e médio em escola pública, tanto faz estudar muito ou pouco, pois o que lhe espera é, todavia, o mesmo nível de educação superior. Se fizermos com que as faculdades privadas tenham escalas produzidas através da disposição intelectual de seus alunos, incitaremos maior aplicação destes. Por exemplo, tendo as universidades A, B e C, onde A tem um vestibular muito difícil, B médio e C fácil e todas cobram o mesmo valor de mensalidade, um aluno que objetiva ser um grande profissional certamente gostaria de cursar sua graduação na universidade A, pois, pela teoria aqui exposta, é a melhor, e para cursar nesta universidade ele precisaria apenas estudar mais, não necessariamente ganhar mais.

Claro, há alguns ou vários “poréns” que entravam o desenvolvimento da educação nestes moldes. Mas acredito que, no geral, este seria um grande avanço na busca por uma educação de qualidade para todos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Para se pensar!!!

Recebi por e-mail hoje este texto. Gostei, e então resolvi postar aqui...

O texto que segue abaixo foi escrito para uma formatura da FAAP, por Nizan Guanaes, que foi o paraninfo da turma. Olhe só o que este publicitário escreveu! Deve ser por isso que é um dos melhores redatores do mundo e dono da DM9 (aquela que criou os bichinhos da Parmalat).

'Dizem que conselho só se dá a quem pede.
E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho licença para dar alguns.
Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro.
Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor.
Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha.
Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro.
Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro.
Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham, porque são incapazes de sonhar.
E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute.
Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido, tendo consciência de que cada homem foi feito para fazer história.
Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução.
Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar, sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

Não use Rider, não dê férias a seus pés.
Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: 'eu não disse!', 'eu sabia!'.

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar.
Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam.
Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Eu digo : trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio (que é a morada do demônio) e constrói prodígios.

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito o que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.

Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo (que é mesmo o senhor da razão) vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.

E isso se chama SUCESSO.'

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Administração Pública e Marasmo

I – Da parte sensata.

Hoje, tive a felicidade de poder ler a Carta do IBRE, carta escrita por economistas da FGV que apresenta dois mitos das contas públicas brasileiras (leia aqui). Um deles é o de que a redução de despesas de expediente poderia diminuir significativamente as despesas públicas. O outro é o de que o responsável, quase totalmente, pelo fraco investimento brasileiro é a pouca aplicação de recursos.

O 1° fora desmentido facilmente ao se apresentar a participação de cada componente nos gastos públicos brasileiros. A participação do Custo Restrito, que engloba os valores de despesas de escritório e viagens, material de consumo e serviços de consultoria, entre 1999 a 2009, caiu de 2,1% do PIB para 1,8%, sendo que, a máquina do governo não funcionaria com menos de 1% investido neste setor.

O 2° e mais emblemático, pode ser considerado em partes real. É verossímil que os gastos correntes (despesas geralmente mensais, vide relatório) vêm engrossando sua fatia no PIB, como também é verossímil o fato de que os recursos gastos em investimentos públicos vêm afinando sua parcela, porém, estas são só duas partes de um quebra-cabeça complicado. Um dos principais agravantes apresentados neste relatório para o problema, para alguns uma surpresa, é a má administração pública, que freia a liberação de verbas e estagna o processo.

II – Da psicose do autor

E mais uma vez chegamos ao mesmo buraco. Cultura. Infelizmente, a inapetência dos trabalhadores públicos é o resultado de uma sociedade que busca esforçar-se o mínimo possível para qualquer ação. A afirmação é cômica, afinal esta sempre foi à maior meta humana: Conseguir o máximo com o mínimo de esforço possível. Claro, nos tempos em que a produção de qualquer coisa era rústica e de extrema dificuldade, nos tempos em que trabalhar (trabalhar mesmo!) era necessário para continuar a viver, esta meta fazia todo sentido. Mas e hoje em dia? Nestes tempos onde tudo é produzido em escala desnecessária para que sejam saciados os bolsos dos “grandes homens” de nossa economia? Nestes tempos onde temos a obrigação de estar no ambiente criado para o trabalho, mas não a obrigação de trabalhar?
O mundo mudou, mas nossa meta não. Estamos em um trem desgovernado, sem freios. Um trem que atingiu a velocidade que necessitava, mas que não para de acelerar. Um trem controlado por maquinistas que já não se importam com os passageiros nem com os trilhos. E o mais triste, um trem cujos passageiros já não sabem ou fingem não saber onde querem desembarcar.

Talvez seja a hora de mudar o rumo deste trem...



Outras Frequências (Engenheiros do Hawaii)

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais

mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval
não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim

seria mais fácil fazer como todo mundo faz...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia da Contabilidade

Parabéns profissionais, estudiosos e simpatizantes da contabilidade!!! Domingo, 25/04 foi o dia do contabilista, profissão de elevada importância na sociedade atual, profissão esta a qual pertenço.

Em homenagem a esta indispensável profissão nada melhor que falar de um pioneiro do assunto, o homem que escreveu seu nome na história da Administração Científica e da Contabilidade através da publicação de “Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni et Proportionalita”, Frei Luca Pacioli.

Il Paciolo, nascido em San Sepolcro em uma época de ouro da Itália, é um dos maiores nomes da contabilidade, se não o maior. Através de seu livro citado a pouco apresentou para o mundo o método que até hoje é utilizado pelos contabilistas, o ‘método das partidas dobradas’.

Frei Luca, junto a Da Vinci, Botticelli, Maquiavel, Michelangelo e outros gênios tornaram o período renascentista uma das épocas memoráveis da história do homem. Neste tempo cultuava-se a arte profunda, a ciência da arte, seus desdobramentos, seus porquês...

Apesar de Frei Luca Pacioli ser estudioso das ciências exatas, era grande apreciador das artes plásticas, tanto que, escreveu um livro sobre as “Divinas Proporções”. Diz histórias que fora ele que as apresentou ao seu saudoso amigo Leonardo Da Vinci.

Luca Pacioli lecionou em grande parte da Itália, para crianças, universitários, duques... morreu em 1517, deixando um legado de difusão cultural que jamais morrerá.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Qual o papel da imprensa na democracia?

Antes de analisar a proficuidade da imprensa atual, devemos primeiramente identificar o atributo predecessor: O que anseiam os veículos de imprensa? O que é profícuo a eles? A motivação destes não se difere da maioria, este é o problema, da imprensa e da democracia. Ambos tornam-se inúteis se o importante, comum e unicamente importante, é o capital.
O papel da imprensa seria, como disse nosso atual presidente em entrevista a UOL, o “de ser o grande órgão informador da opinião pública” e a imparcialidade neste processo deveria ser abundante, como também afirma Lula: “essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos”.
Infelizmente, os veículos de imprensa para sobreviver em seu meio de concorrência canibalesca, necessitam de ênfase. A necessidade e a ganância de conseguir lugar de destaque fazem-los recorrer ao extremismo da informação, depreciando o valor intelectual da mensagem e ostentando o emocional, na grande maioria das vezes, negativamente.
Somando a atuação sensacionalista de nossa imprensa com a conduta amoral de nossos líderes: ‘habemus circenses’. A estirpe política inescrupulosa, corrupta e geniosa é prato cheio para multiplicar os “feitos” midiáticos, que a cada dia desvenda mais sujos esquemas de desvio, de conduta ou dinheiro. Mas este boom de revelações tornou-nos céticos, a rotina auferida de sujeiras políticas já é comum e aceita, acomodamo-nos, e o papel da imprensa jaz desnecessário.
Claro que, em meio a imprensa comercial sensacionalista há sempre bons jornalistas e estudiosos do assunto, que anseiam a busca e a disseminação de informação de qualidade, imparcial. São relativamente poucos, mas com a elevação da estrutura social comum, o conhecimento e a curiosidade brasileira tendem a aumentar e a buscar novos caminhos, assim, retirando a atenção do motivacional coagido e voltando-a para o intelectual livre.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A obra-prima Watchmen

"Diário de Rorschach - 12 de outubro de 1985.
Carcaça de um cão morto no beco hoje de manhã com marcas de pneu no ventre rasgado. A cidade tem medo de mim. Eu vi sua verdadeira face. As ruas são sarjetas dilatadas cheias de sangue e, quando os bueiros transbordarem, todos os vermes vão se afogar. A imundice de todo sexo e matanças vai espumar até a cintura e as putas e os políticos vão olhar para cima gritando "salve-nos"... e eu vou olhar para baixo e dizer "não". Eles tiveram escolha, todos. Podiam ter seguido os passos de homens honrados como meu pai ou o presidente Truman. Homens decentes, que acreditavam no suor do trabalho honesto. Mas seguiram os excrementos de devassos e comunistas sem perceber que a trilha levava a um precipício até ser tarde demais. E não me digam que não tiveram escolha. Agora o mundo todo está na beira do abismo contemplando o inferno e os liberais, intelectuais e sedutores de fala macia... de repente não sabem mais o que dizer."
O texto acima foi retirado do "diário do Rorschach" logo nas primeiras páginas de Watchmen, uma das obras primas de Alan Moore. Denso não? Bom, é este o ritmo de toda a narrativa. Para quem absorve é de se ficar semanas abalado com o conteúdo desta "estória de super-heróis".
Li três vezes Watchmen e em todas elas descobria coisas novas sobre a trama. A HQ tem tantas referências sobre assuntos históricos, filosóficos, políticos e científicos que é impossível em uma leitura superficial digerir completamente a narrativa. "O Conto do Cargueiro Negro" (HQ lida dentro da HQ) é um exemplo. Precisei de duas leituras para entender seu significado.
Toda essa bomba de informações é emaranhada de forma tão espetacular dentro do roteiro que, dispersados, é irracional a relação dos assuntos. Vão de extraterrestres, vigilantes, sociopatas e mutantes nucleares passando por conflitos sociais, mega corporações, tensão pré-guerra até romances e dramas de aposentados. Moore, dentro de uma trama frenética carregada, consegue contar a história de cada personagem central, consegue mostrar-nos o que move cada um e quais seus traumas e desejos. Não é a toa que esta simples história em quadrinhos é referência em leitura, seu desenrolar está à beira da perfeição... "e de repente os críticos das artes seqüenciais como obras intelectuais não sabem mais o que dizer".
Alguns dos diálogos que julgo mais interessantes são entre Rorschach e seu psicanalista. Onde o primeiro fala ao segundo sua visão da sociedade e porque se tornou um vigilante violento. É observável neste colóquio a desconstrução de um ponto de vista, no caso o do psicanalista, que acaba enxergando que a vida não é a maravilha que pensava ser. É com essa visão que saímos ao terminar de ler Watchmen. Deixa-nos um gosto amargo na boca, uma sensação de improfícuo. E, talvez, essa sensação faça com que mudemos nossos conceitos e, como fez o psicanalista, importemo-nos um pouco mais com o mundo.

------------------

Uma leitura essencial e recomendadíssima. Como é custoso, em tempo e dinheiro, para se adquirir o livro. Recomendo o download na net mesmo. A qualidade é boa, principalmente em pdf.

------------------

Recentemente Watchmen foi adaptado para as telonas. Infelizmente o filme não é tão impressionante como a obra escrita, mas também não é ruim. O defeito é que para quem não leu a HQ, é difícil compreender o desenrolar do filme e para quem leu, o filme parece estar incompleto. No entanto, só o fato de ver nossos "heróis" em ação já é de ficar arrepiado (LOL). Rorschach foi muito bem adaptado (a voz é fera - "help us" "no"), mas senti falta da profundidade do psicanalista descrita acima, no filme não tem( =( ).

------------------

Algumas observações e personagens:

Cenário: Passa-se no EUA, principalmente em NY, no período da guerra fria. Porém Nixon ainda é presidente, houve vigilantismo (heróis mascarados), Doutor Manhatam (um acidente nuclear) fez vários avanços tecnológicos, um interessante é o carro elétrico.

Lei Keene: Importantíssima na estória. É a lei que baniu o "vigilantismo" nos EUA depois de uma greve policial. Os únicos ex-vigilantes na ativa são Manhattan e Comediante - autorizados pelo governo - e Rorschach - ilegalmente.

Rorschach: Falei pouco dele né, rs. Rorschach é um vigilante sociopata traumatizado. Sua visão de justiça é aterradora, porém compreensível. O nome Rorschach é por sua mascara que lembra o "teste de Rorschach".

Dr. Manhattan: Uma vítima de um acidente nuclear que adquiriu super-poderes, é o único que tem super-poderes na estória. Tanto poderoso é, que está perdendo seus sentimentos em relação à humanidade. O nome Dr. Manhattan é devido aos testes atômicos que geraram a bomba atômica nominados "Projeto Manhattan".

Ozymandias: Diz-se o homem mais inteligente da terra e capaz de parar uma bala. Um dos pontos centrais da trama. Maquiavélico e calculista. Ozymandias era também o apelido do faraó Ramsés II.

Comediante: Frio, arrogante, sarcástico e realista. Personagem interessante. Lembra o Coringa, mas é um pouco mais prepotente e arrogante.

Bom, o resto é com você. Baixe a HQ e deslumbre esta obra prima!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O sapo, a panela, o terremoto e o Haiti


Diversas vezes assisti o documentário "Uma verdade inconveniente" de Al Gore. Cada vez que o fazia, possuía novas perspectivas, e acabava por analisar pontos diferentes no filme o que me causava uma metamorfose de opiniões. Em paralelo, a historieta do Sapo na Panela era algo que imutavelmente me chamava à atenção neste filme:

- Um sapo pula dentro de uma panela de água fervendo. Ele pula pra fora imediatamente, pois a súbita mudança de temperatura o causa um choque.
- Mas se o sapo pular na água morna e a água ir esquentando aos poucos, ele não sentirá a mudança, não sairá da água e por fim morrerá.

Notaram a semelhança com o comportamento humano? Nós, a sociedade de prepotentes racionais, quando temos algum choque, uma catástrofe natural ou um atentado terrorista por exemplo, prontamente buscamos remediar a situação. Tomamos as medidas necessárias até que o problema, enfim, esteja esquecido resolvido. Já se o problema é inserido em doses homeopáticas vamos adaptando-nos a ele, até que não pareça mais um problema, pareça apenas uma dura e indiferente irremediável realidade cotidiana.


---------------------------------------------

O Haiti... a o Haiti, um dia chamado de "a jóia das Antilhas" tanto produtivo que era. Produtivo e usurpado pelos franceses, seus colonizadores, a um ponto que, para se ter uma idéia, 50% do PIB francês da época era provido desta colônia centro-americana. Mas essa mamata um dia teria que acabar. E acabou! Poucos anos após a abolição da escravatura, adquirida com luta, em 1803 finalmente o Haiti declarou-se independente. E declarou também, sem perceber, o suicídio econômico.
Como a grande maioria dos países da época era escravista, o Haiti, sendo temido por ser o primeiro país americano livre da escravatura, foi boicotado comercialmente durante 60 anos, o que rendeu uma grande miséria. Se isso não bastasse, anos depois, a França cobrara uma dívida referente à indenização para com os ex-donos de terras e escravos haitianos. O juro interminável desta dívida que fora paga durante 80 anos drenara ainda mais a ínfima economia do país.

Que o Haiti precisou e ainda precisa de ajuda é de indubitável certeza. Os países que o cercam ao redor do globo, mesmo depois do fim do bloqueio comercial, pouco fizeram para ajudá-lo. O EUA ocupou-o militarmente no início do século XX, única e exclusivamente para defender seus interesses no território. Durante a guerra fria apoiaram um líder conhecido como Papa Doc, o qual com uma feroz e violenta ditadura comandou o Haiti até a década de 70 quando morreu e deixou o governo nas mãos de seu filho, Baby Doc. E dá-lhe mais ditadura e violência.

Com um passado de assassinatos e deposições políticas, finalmente em 2004, com um pedido do interino no governo, Bonifácio Alexandre, o Haiti requisitou a assistência da ONU. Esta, que ainda não havia feito nada em prol do miserável país, enviou uma tropa de 6.700 homens na missão de paz MINUSTAH, comandada pelo Brasil e que perdura até os dias de hoje.


---------------------------------------------

Retirado de Wikipédia

“Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas, com magnitude 7.0 na escala de Richter, atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto, estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão, embora fontes noticiosas afirmem que pode chegar aos 200 mil, e o número de desabrigados pode chegar aos três milhões. Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do país mais pobre do continente americano.”


---------------------------------------------

Ficou clara a correlação entre os títulos? O terremoto 7.0 que atingiu o Haiti é como a panela com água fervendo que, devido ao choque, faz com que o sapo tenha uma pronta resposta. Já a historia haitiana é como a panela com água que ferve aos poucos e que o sapo não dá a devida importância, acostuma-se com o aumento da temperatura, e por fim, morre.
Neste instante todo o mundo está contemplando o horror haitiano. Sentindo muito pelos milhares de pessoas mortas no sismo.
Bom, se analisarmos, foram milhões as pessoas mortas pela desnutrição, pela miséria e pela violência ao longo da história haitiana. Bem mais que as mortas no terremoto. Se este terremoto foi considerado pela ONU a maior catástrofe natural desde o seu surgimento, o Haiti é uma das maiores catástrofes sociais da história.
A verdade, nua e crua, é que pouco nos lixamos para o Haiti, como pouco nos lixamos para a África, como pouco nos lixamos para qualquer que seja o necessitado sem laços familiares. A lei de talião é da natureza humana. Se pudéssemos escolher entre o mínimo necessário para todos ou o máximo possível para nós mesmos, não hesitaríamos na seleção da segunda alternativa. Se a ajuda que está chegando agora dos países ricos para a reconstrução do país houvesse vindo a anos atrás, talvez o Haiti nem precisaria mais de ajuda. Mas não o fizeram antes porque não enxergavam algo “tão pequeno” quanto a miséria da população, não o fizeram por preguiça.
O sapo aos poucos pula fora da panela com água fervendo do terremoto no Haiti. Mas infelizmente está dormindo em uma panela com uma água que apenas esquenta a cada dia, uma panela bem maior e mais perigosa que a do terremoto, a panela chamada egoísmo.






---------------------------------------------

Último discurso de doutora Zilda Anrs, uma das poucas que realmente se importavam com o próximo.




referências:



Uma verdade inconveniente - An Inconvenient Truth , EUA, 2006 - 100 min - Documentário


Pesquisas sobre Haiti: Wikipédia e Blog Mirian Leitão


Lei de Talião - "Olho por olho, dente por dente"



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sonhos cotidianos e o fantástico mundo das narrativas



Quando Oscar Wilde disse "A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida" creio que pecou em um pequeno detalhe: A vida nem sempre imita arte. Apenas deseja imitar!
No último sábado, cedendo à insistência da namorada, fui assistir ao filme "Lua Nova" que já é um grande sucesso de bilheteria (não tanto de crítica) atraindo milhões de fãs (99% do sexo feminino) para as poltronas do cinema. O filme em questão pertence a  "Saga Crepúsculo", cuja narrativa insossa jamais me permitira entender qual o motivo de tanta popularidade do conto. Seriam os garotos sem camisa dos filmes os responsáveis? Seria a "boa" e velha estória de vampiros? Seria o romance e o triângulo amoroso que discorre por entre o roteiro? Seria a semelhanças das fãs com a protagonista?
O fato é que o grande atrativo de Crepúsculo, como o de boa parte dos blockbusters americanos, é a interatividade entre a realidade contemporânea e o fictício instigante, a soma de mundo normal com fatos imaginários. Existem mesmo muitas garotas com personalidade parecida com a de Bella (a mocinha do filme), no entanto as experiências vividas pela personagem são, ao mesmo tempo, impossíveis e excitantes para estas meninas. Logo elas vêem nas telas do cinema um sonho tangível, se vêem no lugar das personagens, um desejo realizado por duas horas. Por isso tantas fãs.
É tudo bobagem? Coisa de mulherzinha? Então quero que atire a primeira pedra o garoto que nunca sonhou ter sido picado por uma aranha radioativa, ou melhor, o homem que nunca imaginou ter capacidade suficiente para varrer as ruas de assassinos e ladrões os quais assombram nossa sociedade. São nas narrativas que podemos satisfazer nossas vontades, encontramos personagens com o poder de fazer o que queríamos poder fazer, são nelas que obtemos um pouco mais de felicidade.
"A vida deseja imitar a arte muito mais do que a arte imita a vida" - Talvez porque a arte parece ser sempre tão perfeita. Até em suas irregularidades, distúrbios, parece sempre completa, signifitiva, diferente de nossas vidas sem sentido as quais apenas vivemos, sem rumo traçado, sem funções convenientes, apenas com a certeza de que irá acabar, com a certeza de que um dia nos desligarão da Matrix (por que não?).

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um Mundo de Abdicações



Sinceramente. Quem nunca pensou em largar mão? Pensou em deixar tudo para trás e ir vender coco na praia?  Possivelmente seríamos muito mais felizes assim: sem preocupações, sem cotidiano, sem rotina estressante.
  Infelizmente, nos falta coragem e capacidade para desligar do material e viver intensamente, somos escravos do nosso consumismo, infelizmente no mundo em que vivemos o foco é o DINHEIRO e não a FELICIDADE. Assim sendo, acabamos não abdicando do material, mas sim do EMOCIONAL! Abandona-se família, amigos, amores, tudo em nome da carreira, as horas de lazer são trocadas por horas extras, uma vida que poderia ser simples dá lugar á uma vida corrida, cheia de compromissos e sem tempo para o próximo, uma vida a qual não sabemos por que a vivemos, pois no final o dinheiro não levou-nos a lugar algum.
  São 48 horas de trabalho semanais, somando é apenas dois dias dos sete que compõem a semana. Claro que se contarmos umas duas horas por dia referentes ao transporte, a organização pessoal e as rebarbas do horário de almoço, passamos para 60 horas, fazendo mais uma horinha por dia de extra, vamos a 70, bom, apenas 40% da semana. Ainda sobra tempo para cuidar da casa, da família, visitar os amigos, ir passear, viajar, festejar, estudar, dormir. Sobra mesmo tempo?
  Mas afinal, não há do que reclamar. Está tudo tão bom, ano que vem me formo, já estou fazendo estágio e serei efetivado. Claro que este meio tempo foi difícil, 4 anos do trabalho para faculdade, da faculdade para o trabalho não é qualquer cristão que aguenta. Mas já foi! Ano que vem me formo, e daí é só alegria, só mais uns 35 anos trabalhando e finalmente... finalmente... bom, vou estar velho, fadigado mentalmente (trabalhar cansa) e com um corpo acabado (pois não tive tempo para me exercitar). Mas vou estar finalmente livre para curtir a vida! Se eu der sorte e não ter nenhuma doença, vou uns 3 ou 4 anos curtindo adoidado, e no final tanto trabalho valeu à pena!
 Valeu mesmo?












segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Hipocrisia e um bocado de indignidade

Há alguns dias atrás assisti no Pânico na TV (sim, assisto pânico) um quadro onde havia um repórter (o cara é o que interpreta o “Traficante Macho Passivo, muito conhecido no You Tube) que na rua perguntava a alguns entrevistados o que achavam do caráter de Sarney, a resposta de prontidão era quase sempre a mesma, “o cara é um ladrão, tem que tirar ele de lá”. Mas a situação mudava quando o repórter fingia que desligava a câmera e oferecia uma merrequinha, dez ou vinte reais, para o pessoal falar bem de Sarney. Ao religar a câmera, via-se bons atores, testemunhando cheios de orgulho, sobre a honestidade acima de qualquer suspeita do “Imperador Maranhense”.


“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, esse é o ditado que se familiariza melhor com a personalidade brasileira, personalidade malandra esta, que por cultura, sempre esteve inserida em nossa sociedade, mas nunca foi considerada ruim, até o momento, é claro, que começou gerar prejuízos, exemplo dos que vemos na política.

A influência da corrupção é tanta, que já á consideramos comum, já á aceitamos e infelizmente já cometemo-las. Governantes são sinônimos de corruptos e os votos sinônimos de desperdício, a realidade é esta, grotesca, pois lideres são reflexo do seu povo, se julgamos todos corruptos, é porque há uma grave falha em nossa conduta.

Felizmente, no quadro do Pânico, havia alguns cidadãos de respeito, os quais não foram comprados por migalhas, resta a estes, o dever e a honra de defender nossa sociedade e acreditar nela, pois quando já se foi a esperança, não existi mais nada...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Insignificante Mundo Novo

Olá!!!

Essa é minha 1ª vez galera! Por isso tem que ser devagarinho...

esse blog está sendo gerado graças a minha imensa vontade de falar mal dos outros!  Agradeço ao Google pela oportunidade (Google vai dominar o mundo, escreve o que eu estou dizendo!)

O nome do blog é p/ parecer irônico, algo fora do comum, escolhi ele depois de duas tentativas, a 1ª foi "Fora de Cogitação" e depois "Fora de Esquadro", bom, os "foras" não deram certo, já existiam (consultei-os blogs correspondentes ainda p/ ver o conteúdo, tinha bosta nenhuma, estavam abandonados motherfuck) dai pensei em algo que fosse simples, mas com um significado profundo, foi ai que me veio a cabeça o "Insignificante Mundo". Porquê? Sou um adébito de uma filosofia de vida cheia de simplicidade e calmaria, e Insignificante Mundo, passa a imagem de que nada é tão irmportante e urgente...

O que postarei? Tudo que me der na telha!!!

Aguardem notícias ;)