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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Utopia, por onde começar? II


Eis o segundo ponto que acho importante para nossa sociedade utópica (o primeiro está
aqui):


         Diminuição da jornada de trabalho


Esse é um tema mais próximo da realidade que o controle de natalidade, e seria difícil que fossem implantados juntos, já que uma menor jornada geraria uma necessidade de mais mão de obra e com o controle de natalidade não teríamos essa mão de obra extra.

E podem até dizer que este deveria vir mesmo primeiro, mas para a sociedade atual ele é menos utopicamente útil (digamos assim) que o controle de natalidade. Por quê? Dado o conceito de trabalho alienado (veja aqui o conceito), o controle de natalidade diminui a necessidade de consumo e produção, logo, o trabalho pode ser realizado de forma verdadeira e prazerosa, ou próximo disso. Já com a diminuição da jornada de trabalho, a alienação continuaria, porém, seria menos presente no dia-a-dia, dando espaço para mais prazer social (conforme o 1° post da série), o que também seria benéfico.

Vejamos: Aqui no Brasil, hoje, trabalhamos 44 horas semanais de forma alienada, ou seja, de forma que não contribui para nosso prazer social (estou generalizando). São horas que, se pudéssemos, utilizaríamos para outra coisa (leia este post, fala sobre isso).

Se reduzirmos a jornada, o trabalho seria mais condensado e necessitaria mais concentração, pois precisaríamos realizar quase o mesmo em menos tempo, o que deduzimos que desgastaria mais. Porém, teríamos mais tempo para realizar o prazer social, o que diminuiria o desgaste. Além do mais, com menos tempo de trabalho, apesar de mais pesado, ele não seria tão presente e faria com que não nos enjoássemos tanto dele. E o próprio fato de ser intenso pode contribuir para que ele fique mais prazeroso (falo um pouco disso neste post).

A diminuição da jornada também melhoraria outro problema comum hoje, o de desemprego, pois precisaríamos de mais empregados para ocupar as horas que ficaram abertas.

Um temor que vêm junto a esta medida é o da diminuição da renda. É um temor válido: Se a jornada for simplesmente diminuída a chance de acontecer é extremamente grande. Por isso, precisamos do terceiro ponto: Um estado competente.



Recomendo de verdade que leiam o texto sobre trabalho alienado. É um texto curto, porém muito instrutivo. Tenho certeza que abriram suas mentes: CLIQUEM AQUI E LEIAM.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Utopia, por onde começar?

De quinta-feira tenho as duas aulas com mais questões sem respostas do meu curso. Ética (com um professor de Filosofia um tanto excêntrico) e Sociologia. Ontem, não acompanhei a aula de ética, apenas a de sociologia, onde o professor apresentou um vídeo de um cara chamado Galeano em que ele disserta em verso e prosa sobre Utopia. Depois o professor, o qual não me recordo o nome, deu a explicação de que Utopia parte do princípio coletivo, de que Utopia não se trata de desejos egoístas, mas sim de uma imaginativa sociedade perfeita. Depois dessa explicação, perguntou sobre o que é preciso fazer para caminharmos em direção a utopia. Sem rodeios, vou verbalizar de forma aleatória minhas idéias e teorias sobre esta caminhada, vou colocar uma por vez para não ficar maçante. A primeira é:


       Controle de natalidade

Vejo este como um problema tão grandioso e tão óbvio. É evidente que se tivermos menos bocas a alimentar teremos mais fartura, se tivermos menos gente para abrigar teremos mais terra, se tivermos menos gente para beber teremos mais água. Com menos gente teríamos que produzir menos, nossas reservas naturais durariam mais e teriam mais tempo para se regenerar, geraríamos menos lixo e este teria mais tempo para se degradar. A solução para os problemas econômicos não está em produzir mais e mais, sim em consumir menos.
Bom, aí você me pergunta: Mas será que com menos pessoas conseguiríamos produzir o suficiente? Não é preciso uns miseráveis suando em trabalhos braçais para manter a mordomia de alguns? Voilà, uma colheitadeira substitui, em uma plantação de cana, de 80 a 100 trabalhadores, os bóias-frias, como não acham outro emprego a não ser o de cortar cana, precisam se submeter a, todos os 100 juntos, custar menos que uma colheitadeira. O processo para a produção de uma colheitadeira há de ser bem automatizado, digamos que sejam necessárias 100 pessoas para produzir uma por dia, desde as peças até a montagem.
Digamos que a população caiu e agora dos 100 funcionários necessários, a AVD Colheitadeiras LTDA tem apenas 50, dos 100 baratos bóias-frias sobraram apenas 50 e agora, vejam só, estão cobrando caro para cortar cana, a DNT Açucareira, assustada com o piso dos bóias prefere comprar colheitadeiras. Solução? Os 50 bóias-frias que sobraram tornam-se operadores de máquinas na AVD, que fornece às colheitadeiras para a DNT poder fazer a colheita, menor por sinal, pois já não é necessário tanto açúcar nesse mundo.
No final dessa história toda o que quero dizer é que, hoje em dia, a tecnologia substitui os braços dos homens. E não é justo, nem necessário que tenhamos que disputar empregos com máquinas, seremos sempre menos eficientes, logo, mais baratos. Isso é bom para quem? Só para aquele 1% de pessoas que são donas das AVDs E DNTs da vida (e essas pelo menos em minha utopia, precisam perder poder).
Conseguem perceber como a diminuição da natalidade faz com que a roda do capitalismo gire mais devagar mantendo todo mundo satisfeito em suas necessidades básicas? Assim sendo, com o capitalismo respeitando o limite de velocidade, com recursos em abundância e com a tecnologia fazendo o pesado por nós, não precisaríamos trabalhar tanto, tendo mais tempo para educação, arte, cultura, ciência e lazer (conjunto de itens que irei chamar de prazer social), fazendo com que a sociedade evolua cada vez mais. = )

E não venha me dizer que o controle de natalidade é outra utopia. O governo poderia muito bem incentivar as pessoas a ter menos filhos de várias formas alternativas, fora que a própria liberdade sexual e a correria e falta de espaço nos centros urbanos já contribui para esse controle.

Próximo ponto: jornada de trabalho.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ensino Superior Privado: Os alunos farão à diferença.

Um breve ensaio sobre as questões da educação no Brasil para as classes C, D e E.

Basicamente, o desenvolvimento de mercado de bens duráveis é tido sempre na seguinte ordem: Quantidade depois qualidade. Primeiro você vende o máximo que pode para todos, quando vê que todos já possuem seu produto, tenta criar algo melhor para substituir aquilo que já vendeu. Logo se percebe que o melhor incentivo para o avanço em qualidade destes produtos é a saturação do mercado. Felizmente, tratando-se de ensino superior privado, isto vem acontecendo.

Faça uma estatística de quantas pessoas cursavam graduação em 2000 e quantas cursam agora. Não tenho dados, mas arrisco dizer que a diferença é enorme. O mercado de educação superior se expandiu e com ele cresceram as opções. Se antigamente você, aluno de escola pública, de classe C ou menor, só tinha a opção de cursar ou não graduação na faculdade mais próxima e ainda assim com muito custo, hoje seu leque de opções é muito maior.

E quando podemos escolher, claro, tendemos para o melhor. E como definir qual universidade é melhor? Instalações? Sim. Corpo docente? Sim. Nível intelectual dos alunos e futuros colegas? Esse, sem dúvida, é o grande diferencial. Por que? Se a média de uma classe, em uma escala de 0 a 10, é 5, a classe é considerada mediana, se a classe é mediana, terá um ensino mediano, com um professor exigindo apenas o mediano e os alunos se tornaram profissionais medianos. Fato, indiferente do nível do professor, da qualidade das instalações, o que define seu aprendizado é você... quando você estuda em particular. Se você está em uma sala com 50 pessoas, o que define o aprendizado sois vós, 50 alunos, você terá de acompanhar sua classe e, fatalmente, poderá ter sua capacidade sub-aproveitada caso a sala esteja inferior ao seu nível.

Logo, a melhor medida para uma universidade se destacar é a seleção do aluno pela sua capacidade intelectual. Não dá para ela selecionar alunos por sua capacidade financeira, cobrando preços muito altos, pois se o futuro estudante é provido de um grande capital financeiro, certamente ele estudou em escola particular até ali e fará uma universidade federal. Também não dá para a faculdade simplesmente aceitar qualquer um que possa pagar as mensalidades, como acontece hoje, já que, como foi dito, a partir de agora temos escolhas e se vermos que uma instituição se nivela por baixo, certamente não será escolhida, ou será apenas pelos piores alunos, tendo cada vez menos prestígio.

Esta medida, se utilizada pelas universidades privadas, também influenciaria no ensino precedente ao superior. Pois hoje, o ensino superior privado é nivelado e não exige muito para ser alcançado, financeira e intelectualmente, logo, para o aluno que cursa ensino fundamental e médio em escola pública, tanto faz estudar muito ou pouco, pois o que lhe espera é, todavia, o mesmo nível de educação superior. Se fizermos com que as faculdades privadas tenham escalas produzidas através da disposição intelectual de seus alunos, incitaremos maior aplicação destes. Por exemplo, tendo as universidades A, B e C, onde A tem um vestibular muito difícil, B médio e C fácil e todas cobram o mesmo valor de mensalidade, um aluno que objetiva ser um grande profissional certamente gostaria de cursar sua graduação na universidade A, pois, pela teoria aqui exposta, é a melhor, e para cursar nesta universidade ele precisaria apenas estudar mais, não necessariamente ganhar mais.

Claro, há alguns ou vários “poréns” que entravam o desenvolvimento da educação nestes moldes. Mas acredito que, no geral, este seria um grande avanço na busca por uma educação de qualidade para todos.