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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Breve ensaio sobre a crise grega

Reproduzo abaixo um relatório sobre a crise grega solicitado pelo meu professor de finanças. É bem curto e mal redigido, mas é de coração


A Grécia está em uma verdadeira “sinuca de bico”. Mesmo com a ajuda financeira da União Européia (UE) não tem conseguido reduzir sua dívida pelo menos até níveis aceitáveis. E olha que a ajuda não foi pouca: 110 bilhões em pacotes de resgate financeiro em 2010, 109 em 2011 e agora mais 130 por empréstimo e perdão de 100 bilhões em dívidas com bancos privados, ainda assim, o cenário é horroroso.

A pergunta que fica é: Como a situação chegou a níveis tão assustadores?

A Grécia vinha em ascensão econômica até 2008, inclusive com o PIB crescendo mais que a média da UE. Porém, em 2008, com a crise mundial de crédito, muitos problemas até então maquiados foram expostos e a economia grega mostrou toda sua fragilidade. O país gastou muito mais que podia na última década, virando refém de crescente dívida, enquanto sua arrecadação era afetada pela evasão de impostos comumente praticada por lá. Vale ressaltar que boa parte do excesso de gastos foi para que acontecesse a olimpíada de 2004, que deixou legados físicos abandonados e dividas até hoje, que isto sirva de exemplo para o Brasil.

Com a divida crescente, a evasão fiscal, altas nas taxas de desemprego e desconfiança dos investidores, a Grécia viu-se adentrar numa grave crise, sendo obrigada a pedir a ajuda da UE. A ajuda veio conforme citado no primeiro parágrafo, porém não foi suficiente. A Grécia ainda tentou e tenta implantar medidas de austeridade como aumentar impostos, diminuir aposentadorias, congelar salários de funcionários públicos e demitir parte deles. Medidas que por sinal foram muito mal recebidas pela população, gerando diversas greves e conflitos no país.

Este cenário grego caótico coloca em xeque também a UE, que de certa forma é responsável por agravar a crise, pois se a Grécia tivesse moeda própria, poderia implantar medidas que desvalorizassem esta moeda favorecendo exportações, também se tivesse controle da taxa de juros poderia diminuí-la, aquecendo a economia. Mas não tem, quem tem é a UE, e se esta não tiver capacidade de lidar com a crise grega, também corre risco de ir para o mesmo buraco, pois países como Portugal, Irlanda e até mesmo a Espanha já dão sinais de que poderão precisar de sua ajuda.

Concluindo, a Grécia é um exemplo de má administração pública por todo o desleixo com seu orçamento e controle fiscal, porém que teve uma punição dura até demais, pagando o preço por entrar em uma união econômica e utilizar de sua moeda. Sua recuperação põe em jogo toda a estrutura dessa união e depende muito do apoio da população ao estado. O país fatalmente sofrerá nos próximos anos, mas é sua única opção. Caso fracasse, corre o risco de ser obrigada a deixar a UE, perder o crédito que ainda lhe resta e ver seus bancos quebrarem, sem dinheiro para os correntistas. Tudo isto acarretaria uma falência total.

terça-feira, 13 de março de 2012

PIB: Nada a comemorar aqui.

E o PIB do Brasil recentemente ultrapassou o do Reino Unido e se tornou o 6° maior do mundo. PIB é o que o país produz em valores, geralmente medido no ano. Logo, o Brasil passou a produzir mais que o Reino Unido. Beleza, o Brasil só tem um território 35 vezes maior que o do Reino Unido e uma população 3 vezes maior. Produzir mais é questão de necessidade. Nada a comemorar aqui.

Em contrapartida em um outro índice que vira e mexe aparece na mídia, o Brasil ainda está 56 posições abaixo dos ingleses. O índice que estou falando é o IDH, o índice de desenvolvimento humano.

O que se absorve destes dados é que, se por um lado o Brasil produz muito dinheiro, por outro, produz pouco desenvolvimento humano, o que é muito mais importante que o dinheiro. Exemplo: A China é a dona do segundo maior PIB. Alguém aqui gostaria de morar na China? Eu duvido.

Como disse há um bom tempo atrás aqui neste blog: Que o crescimento brasileiro virá, todos sabemos, o que eu quero saber é como virá. Não adianta querer produzir a torto e a direito sem uma estrutura adequada. É como querer construir um prédio de 100 andares sem se preocupar com a estabilidade dos alicerces. Investir em cultura, educação, serviços é uma prioridade maior que investir em industrialização e consumo.

A economia está tão voltada para a manutenção da produção que não enxerga que não precisamos mais do que está sendo produzido na escala que está sendo produzido. Não me interessa como vão fazer para vender mais carros, me interessa saber onde vão enfiar esses carros vendidos. Será que não vêem que carro não é um item com obsolescência de curto prazo? Não, não precisamos de mais carros, onde está o “estudo da escassez” para mostrar isso? "Ah, mas a industria automotiva é uma das que mais sustentam o crescimento brasileiro" me dizem. Na boa, se for para crescer assim, só para o PIB ficar bonitinho, prefiro que fique estagnado.

Sim, concordo que para que o país se desenvolva precisamos de dinheiro e que para isso precisamos produzir, mas calma lá, não deixemos o capitalismo subir a cabeça. A ordem é produzir o que precisamos consumir e não consumir o que precisamos produzir.

Quando o IDH do Brasil passar o do Reino Unido me chamem, aí sim, vou comemorar.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lucro do Itaú

"O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira (1º) que teve lucro líquido de R$ 10,940 bilhões de janeiro a setembro deste ano. Com isso, obteve o maior lucro para o período na história dos bancos brasileiros de capital aberto, segundo levantamento da consultoria Economática.

O resultado superou o lucro do próprio banco registrado em 2010: R$ 9,433 bilhões.

Entre os dez maiores lucros para o período, quatro são do Itaú Unibanco, três são do Bradesco, dois do Banco do Brasil e um do Santander, de acordo com o levantamento."

Fonte: Uol

Falamos que a crise foi só uma marolinha aqui no Brasil, muito foi por esta solidez dos bancos. Mas até que ponto essa solidez é benéfica? Olhando sem nenhuma análise mais profunda isso soa, para nossa classe trabalhadora, como uma afronta.

Eu me nego a dar uma opinião segura sobre isto sem ter pesquisado mais afundo. Mas que eu ficaria muito feliz com 0,01% desse valor (cerca de 1 milhão de reais), eu ficaria.

Na íntegra.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O tamanho do investimento...

Ontem teve uma palestra na faculdade sobre o novo Parque Tecnológico de Sorocaba. O Parque terá uma estrutura de mais ou menos (bem chutado, vá lá) 20 mil m² e custará 50 milhões. Pois é galera, 50 milhões. Muito? A prefeitura de São Paulo dará 420 milhões de isenção para o Corinthians pelo estádio, o suficiente para construir mais 8 Parques Tecnológicos.

Não vou questionar o tamanho do bem que fará cada investimento... mas é bom saber o tamanho deles.

Mais aqui ou procure no google: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=parque-tecnologico-sorocaba

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Dilema Tributário

Ouço sempre alguém reclamando que a carga tributária brasileira é uma das mais altas. Costumo dizer que não ligaria que a carga fosse alta desde que tivéssemos educação e infra-estrutura de qualidade (o que deveras não temos), pois isso é o básico do ciclo tributário: carga alta, investimentos públicos altos. Como me disseram que acontece na Suíça (e que não chequei a veracidade), onde a carga tributária também é muito alta, mas a balança equilibra-se. Lá a população não gasta com escola particular, convênio médico, segurança, entre outros. Bom, se aqui essa balança não se equilibra, alguma coisa está errada.

Onde está errado? Vejo a incompetência (falta de honestidade, talvez) do governo e a impunidade como os maiores problemas. Vejamos:

O primeiro ponto é a necessidade de equilíbrio em outra balança, a de valores pagos versus pagadores. Explico: Quanto mais “contribuintes” mais diluído será o valor unitário pago de imposto, quanto menos, mais será pago por cada um. No Brasil, onde o valor pago já é alto, a burocracia é gigantesca e a impunidade reina, a sonegação é comum. Se uns sonegam, outros vão ter de pagar a parte deles, ou seja, um valor mais alto, o que tende a haver mais sonegação. Como corrigir? Este é mais simples, é só ter um controle mais rígido sobre os contribuintes, o que já está sendo feito através da digitalização de documentos e declarações.

O segundo ponto é mais complicado. Trata-se da carência de uma administração pública competente e honesta. Exemplo é o saneamento básico, lembro-me de debates onde Dilma dizia que foram investidos tantos e tantos milhões em saneamento básico, no entanto pesquisas diziam que nos últimos 4 anos o saneamento tinha sido implantado em apenas mais 3% da população que necessitava. Pois é, e para onde foram os tantos e tantos milhões? É dinheiro que some, que vai para contas privadas, obras superfaturadas, nem sempre por desonestidade, às vezes por incompetência mesmo, e com isso precisam de mais e mais dinheiro para investimentos. Não basta investir, tem de ser bem aplicado. Para isso não vejo outra solução a não ser a educação, se investirmos (pelo menos um pouco certo) na educação formaremos cidadãos mais inteligentes no futuro, capazes de enxergar que dinheiro público é dinheiro nosso, que é para ser usado em prol do plural, não do singular. Assim, se investirmos direito, a necessidade de recolhimento será menor e a carga diminuíra ou os serviços públicos melhorarão.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

"Governo, quero pagar mais impostos!"

"Enquanto as classes baixas lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a classe média se sacrifica para fechar o orçamento, nós, os super-ricos, temos isenções extraordinárias"
por Carla Jimenez


Há algo extraordinário acontecendo quando um bilionário pede para deixar de ser mimado pelo governo e reclama que está pagando poucos impostos. Mas foi esse o recado dado pelo megainvestidor Warren Buffett, 80 anos, o terceiro homem mais rico do mundo, fundador e sócio da Berkshire Hathaway, num artigo publicado no jornal The New York Times, na semana passada. Intitulado “Stop Coddling the Super Rich”, algo como “Parem de afagar os bilionários”, o texto irônico e direto assinado por Buffett chama a atenção para o fato de que, no último ano, ele pagou 17,4% em tributos sobre seus rendimentos para o governo americano. Ao mesmo tempo, seus 20 funcionários mais próximos, representantes da classe média americana, suportavam uma carga tributária que varia entre 33% e 41% sobre seus ganhos. “Enquanto as classes mais baixas lutam por nós no Afeganistão, e enquanto as famílias de classe média se sacrificam para fechar o orçamento do final do mês, nós, os super-ricos, continuamos a ter isenções fiscais extraordinárias”, escreveu Buffett em seu artigo.
No texto, o empresário revelou ter de sobra o que falta ao Partido Republicano, nos tempos atuais: bom-senso. Em busca de um sistema que ajude a fechar a conta, os parlamentares que se opõem ao presidente democrata Barack Obama vetaram a proposta de aumentar o tributo dos mais ricos. Não permitiram que se mexesse no orçamento da Defesa, exatamente o que ajudou a engordar o déficit americano com as sucessivas guerras, mas exigiram cortes em programas sociais, que podem significar um complemento de renda para a população mais carente, como ficou demonstrado pelas políticas anticíclicas empregadas pela América Latina durante a crise de 2008, baseadas na ideia de que incentivar uma maioria a consumir é mais eficiente para manter a roda da economia girando. Mas os republicanos não pensam assim.



Miraram, na verdade, na candidatura à reeleição de Obama e não se importaram em promover um atraso na recuperação econômica, contanto que os democratas sejam derrotados no jogo eleitoral, no ano que vem. O tiro, porém, pode sair pela culatra, avalia o professor Richard Locke, chefe da cadeira de ciências políticas do Massachusetts Institute of Technologies (MIT). “As pesquisas de opinião mostram mais americanos contrários aos republicanos depois das medidas que tomaram, terríveis para a economia”, diz Locke. O Oráculo de Omaha foi um deles.

Buffett reclama que os congressistas precisam “repartir os sacrifícios” num momento como o atual, em que os americanos guardam centavos para pagar dívidas acumuladas nos tempos das vacas gordas. O empresário, diga-se, é um sujeito sui generis. Revelou-se da pá virada desde os 14 anos, quando decidiu declarar como bem tributável sua bicicleta e um relógio, companheiros inseparáveis em suas visitas de porta em porta pelas casas de Omaha, sua cidade natal, no Estado de Nebraska, para vender doces, Coca-Cola e revistas. Aprendeu desde cedo a ganhar dinheiro e embora acumule uma fortuna de US$ 60 bilhões, já avisou os filhos que 85% dessa montanha de recursos irá para fundações beneficentes, numa atitude altruísta surpreendente.

http://www.istoedinheiro.com.br/artigos/63846_GOVERNO+QUERO+PAGAR+MAIS+IMPOSTOS

terça-feira, 16 de agosto de 2011

FIAT - ISTOÉ Dinheiro

Acho interessante postar esta entrevista pelo pensamento bem fundamentado do presidente da Fiat, da importância de exportar tecnologia. Países europeus são pequenos e frios, mesmo assim são ricos. Por que será?



Entrevista
“Seremos exportadores de tecnologia”
O presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini, diz que pesquisa e desenvolvimento são uma prioridade para a subsidiária do grupo italiano


É consenso entre as montadoras que desenvolver tecnologias próprias determinará o futuro do setor. O que a Fiat tem feito nesse sentido?
Nos últimos anos, nosso centro de pesquisa e desenvolvimento contratou 1,2 mil engenheiros e recebeu US$ 300 milhões para aprimorar, localmente, a tecnologia dos modelos produzidos no País. Decidimos que não queríamos ser apenas líderes em um grande mercado automobilístico, que neste ano deve ser o quarto ou quinto do mundo. Precisamos ser criadores e exportadores de tecnologia automotiva. Isso vale não só para a Fiat, mas para todas as montadoras que atuam no Brasil.
Mas essa regra vale para todos os setores...
Sim, mas a indústria automobilística brasileira tem mais de 60 anos de história. Temos condições, e já é hora, de exportar mais do que carros. Temos de ensinar ao mundo aquilo que aprendemos a fazer muito bem. Dentro dessa lógica, precisamos buscar cada vez mais materiais leves e seguros para nossos veículos. Estamos agora em quatro pessoas dentro de um carro que pesa uma tonelada. Juntos, nós pesamos cerca de 350 quilos. Isso precisa ser resolvido. Não precisaríamos de tanto peso para nos carregar.
Historicamente, desde o modelo 147, que apresentava problemas iniciais de fabricação, nos anos 1970, a questão da qualidade é uma preocupação da Fiat, correto?
A melhoria da qualidade dos automóveis é uma busca constante e sempre será. Olhando para o passado, a boa aceitação dos sucessores do 147 no mercado nacional, principalmente com a chegada do Uno em 1984, mostrou que a questão da qualidade havia se tornado uma prioridade para a Fiat. A partir de então, sempre saímos na frente quando o assunto era inovação. Adotamos uma postura ousada de mercado. Fomos os primeiros a lançar o motor transversal, a desenvolver uma picape a partir de um carro de passeio, o Fiat Fiorino, a lançar airbag de série, a oferecer turbo original de fábrica, assim como os primeiros a fazer veículos com tração locker, entre inúmeras outras inovações.
O mercado automotivo deverá continuar crescendo forte e atingir seis milhões de unidades até 2015 e novas marcas chegarão. Como garantir a liderança? 
Nós gostamos de ser líderes, mas não é só isso que define os nossos planos para o futuro. Na indústria, os planos são sempre de longo prazo. Se eu encomendar uma prensa hoje, para ampliar a produção, essa máquina será entregue daqui a dois anos. Nosso primeiro foco é o cliente, com produtos de mais qualidade. O segundo são nossos trabalhadores, que fazem da Fiat o que ela é hoje. A terceira prioridade é o relacionamento. Qualquer um dos 25 mil funcionários da Fiat tem um canal de comunicação direto comigo. Eles mandam e-mails, e eu respondo. Fazendo isso, a liderança será consequência natural. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Copa do Mundo. Mais medo que expectativa.

Eu gostaria muito que o Brasil tivesse uma Copa do Mundo. Mas gostaria mais ainda que o Brasil estivesse preparado para ter uma Copa do Mundo.

Nós brasileiros sempre bradamos que todo político desta terra é corrupto e incompetente. Isso é verdade? É, talvez, em parte. Fazemos algo para mudar isso? Nada ou muito pouco. Somos inertes, submissos. E é nesse lindo cenário político que vamos ter uma Copa!

A FIFA veio até aqui e disse que o Brasil tem de ser Inglaterra. E o Brasil, em vez de analisar sua situação e dar seu lance, disse we will, custe o que custar.
Logo, o Comitê Organizador descartou o Morumbi, estádio onde cabem 65 mil de pessoas, para construir um novo estádio em São Paulo para a Copa. “Investimento” de 1 bilhão de reais, dos quais 400 milhões serão públicos.
Fará novos estádios com dinheiro do povo em Brasília, Mato Grosso e Amazonas. Três estados cujos times mais conhecidos figuram na série C, no máximo B, do campeonato nacional.
Fora estes, teremos mais 8 estádios e muito dinheiro público envolvido.

Infelizmente, não penso em Copa2014 sem pensar em incompetência e corrupção.
A CBF, entidade máxima do futebol brasileiro é privada e seu principal mandatário, Ricardo Teixeira, é, no mínimo, suspeito e está cagando para isso!
Os Governadores, Prefeitos e afins, são maleáveis demais. Tudo solicitado é atendido, pois têm medo de que alguma repressão a Copa possa causar desgaste para com o povo.
A Copa é em 2014, estamos em 2011 e pouco foi feito. Certamente as obras serão encarecidas pela urgência. Etapas burocráticas serão puladas e muita coisa será realizada sem ser fiscalizada.

Como Romário disse, “só Jesus salva”. Mas não acredito que haverá intervenção divina.

Malthus. Radical, mas fundamentado.

Analisando de maneira geral, com os ganhos em tecnologia e o aumento populacional, teremos cada vez menos espaço para mão-de-obra, o que acarretará em miséria. Malthus estava um tanto quanto certo!

Além do mais, a maioria dos problemas contemporâneos é causado pelo excesso de população, como a escassez de água, a poluição, a fome, a desigualdade.

Um controle de natalidade é muito bem-vindo, e a própria economia está apta a aderir esta idéia. Como dito, com as melhorias tecnológicas, o serviço braçal está sendo aos poucos dispensado, logo, a necessidade de termos jovens para realizar estas tarefas é menor e a baixa na taxa de natalidade não seria tão sentida.

Caminhamos, através da própria liberdade sexual e conscientização das massas, para uma queda populacional. Basta espalhar está cultura, ainda encontrada apenas em países desenvolvidos, para os países mais pobres, onde a taxa de natalidade ainda é muito grande.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Patrimônio Invisível

Recentemente fiz uma pesquisa sobre a contabilização dos Ativos Intangíveis, sabe, o patrimônio da empresa não contido em bens matérias. Material interessante, vai desde know-how e processos, até marcas e capital de clientes, passando também pelo precioso capital humano. Mas engana-se quem pensa ser simples colocar em papel o valor deste material e fazer o controle das idéias.


Mas e aí? Quanto vale?
Quanto vale sua marca? Seu processo de produção? Seu banco de dados? Difícil saber ao certo, não se costuma comprar intangíveis no mercado, é um processo bem mais elaborado, e por ser assim, tão complexo, muitas pessoas cometem o equívoco de desconsiderar este valor na hora de mensurar algo. Ledo Engano.
Hoje, encontramo-nos na Era do Conhecimento, - Alguns estudiosos costumam fazer uma linha do tempo para a escala de produção econômica: Primeiro veio a Era Primitiva, depois veio a Era da Agricultura, a Era Industrial e finalmente a Era do Conhecimento, onde o carro chefe da produção econômica são os intangíveis – que está apenas em seu início e não parece que irá acabar tão cedo, aí a necessidade de se controlar com meios eficazes os intangíveis. O difícil é mensurá-los, é algo muito instável, um dia sua marca pode valer milhões, no outro valer apenas metade. O meio mais eficaz de se medir o valor das idéias tem sido o Goodwill, que pode ser simplesmente a diferença entre o valor de mercado da sua empresa menos o contábil/patrimonial dela, já que o segundo igualar-se-ia ao primeiro apenas há décadas atrás, ainda na Era Industrial.

E onde diabos vejo isso?
Mas o que me instigou a criar este texto, na verdade, foi a Copa do Mundo. Isto mesmo, a Copa do Mundo, o maior espetáculo esportivo do globo. Mas onde ela se depara com os intangíveis? Elementar meu caro Watson. Já parou para pensar quanto vale o verde e amarelo em tempos de copa do mundo (eu sim, 189,90 uma camisa da seleção)? O futebol é uma paixão nacional, as pessoas param de trabalhar para assistir aos jogos, compram o possível para mostrar sua pátria, se alegram, bebem, comem, compram TVs. A FIFA (órgão que controla o futebol) por sua vez, vende por milhões os direitos de exibição dos jogos para as emissoras, estas vendem por milhões o horário de intervalo dos jogos para que empresas mostrem seus comerciais com pessoas vestidas de verde e amarelo, para que assim possam vender mais camisas, bebidas, comidas, TVs e todo o resto. E neste enorme e lucrativo ciclo virtuoso (ou vicioso), vemos uma imensidade de ativos intangíveis sendo produzidos e comercializados.


E o que eu ganho?
Uma consideração interessante é o valor que coisas, que para alguns “espertos empreendedores” são ínfimas, podem receber de grandes multinacionais, por exemplo. Uma delas? Vejamos no caso da copa do mundo, com que seleção você gostaria de ser associada? Com a França, cujo grupo com Argentina, México e África do Sul pode ser considerado difícil, cuja classificação para a copa veio através de um gol com a ajuda da mão de um atacante, cujo técnico é considerado por muitos, fraco e cujos jogadores não são tão habilidosos como safras anteriores? Ou a Espanha que ganhou a Eurocopa e que joga, com jogadores muito habilidosos, um futebol bonito? Tudo isso pode parecer bobo, mas hoje em dia, as análises econômicas precisam considerar muito mais variáveis, além do exigido é preciso exceder, ver o que os concorrentes não vêem. Para se conseguir bons resultados é preciso criatividade, idéias, conhecimento. É preciso intangíveis!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Brasil, Irã – Guerra ao Terror

Se no filme ganhador do Oscar do ano passado, os responsáveis por desarmar explosivos usavam um belo traje protetor para realizar seu árduo trabalho, hoje, fora da ficção, vemos um país desprovido de qualquer armadura tentando realizar a mesma difícil tarefa de neutralizar uma bomba. Uma das grandes.

Lula, nosso presidente, esteve esta semana assinando um acordo junto a Irã e Turquia, compactuando para com uma válvula de escape na questão de nuclearização da nação iraniana. O Irã, para quem não sabe, criou um projeto de enriquecimento de urânio, que acarretou em várias sanções internacionais e a convivência com a constante ameaça de mais delas, tudo por conta do temor internacional de uma bomba atômica.

Através do acordo, Turquia e Brasil tentam limitar as sanções contra Irã, algo que a maioria das potências não concordam. Com razão, o governo do Irã tem um passado sujo demais para ter tal credito e mesmo ele concordando em enviar urânio para ser enriquecido em 20% (longe dos 95% de uma Enola Gay) na Turquia, o país continua com a idéia de nuclearizar também em seu território, dificultando negociações.

Apesar de parecer ter pouco resultado prático a atitude de Lula, o impacto publicitário foi desproporcional. Uma passagem rápida pelas principais News do mundo dá um panorama de quão bem recebido foi o ato do presidente brasileiro: “Muitos disseram que eles iriam falhar. Ao invés disso, os dois anunciaram o triunfo na segunda-feira 17 maio, apertando as mãos com Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano.” diz economist.com, “Estrela do brasileiro Lula brilha com acordo iraniano” anuncia o Associated Press, “A China saudou o plano de troca de combustível nuclear que o Irã anunciou após reunião com o Brasil e a Turquia” diz Reuters.

A crítica positiva, porém, parece ser temporária, como a própria cooperação iraniana. Todavia, pode durar até a vindoura eleição presidencial deste ano, que se Dilma ganhar, será pela pura publicidade do companheiro Lula. Publicidade esta que certamente fora o forte da carreira do presidente, mas não a confunda com forte diplomacia, até porque Luis Inácio perdera a maioria das apostas, foram poucos resultados para muitos apertos de mão.

Posso pecar em dizer, mas acredito, na minha humilde opinião, que Lula agora torce para que haja sanções. Claro! Com as sanções, se Irã construir uma bomba será por causa delas, se não construir, ótimo, o Brasil fez sua parte. Deste ponto de vista, caros, acabo enxergando a intervenção brasileira no Irã como enxergo o premiado filme do título: Apesar de falar sobre fatos reais sérios, não passa de ficção, entretenimento.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Administração Pública e Marasmo

I – Da parte sensata.

Hoje, tive a felicidade de poder ler a Carta do IBRE, carta escrita por economistas da FGV que apresenta dois mitos das contas públicas brasileiras (leia aqui). Um deles é o de que a redução de despesas de expediente poderia diminuir significativamente as despesas públicas. O outro é o de que o responsável, quase totalmente, pelo fraco investimento brasileiro é a pouca aplicação de recursos.

O 1° fora desmentido facilmente ao se apresentar a participação de cada componente nos gastos públicos brasileiros. A participação do Custo Restrito, que engloba os valores de despesas de escritório e viagens, material de consumo e serviços de consultoria, entre 1999 a 2009, caiu de 2,1% do PIB para 1,8%, sendo que, a máquina do governo não funcionaria com menos de 1% investido neste setor.

O 2° e mais emblemático, pode ser considerado em partes real. É verossímil que os gastos correntes (despesas geralmente mensais, vide relatório) vêm engrossando sua fatia no PIB, como também é verossímil o fato de que os recursos gastos em investimentos públicos vêm afinando sua parcela, porém, estas são só duas partes de um quebra-cabeça complicado. Um dos principais agravantes apresentados neste relatório para o problema, para alguns uma surpresa, é a má administração pública, que freia a liberação de verbas e estagna o processo.

II – Da psicose do autor

E mais uma vez chegamos ao mesmo buraco. Cultura. Infelizmente, a inapetência dos trabalhadores públicos é o resultado de uma sociedade que busca esforçar-se o mínimo possível para qualquer ação. A afirmação é cômica, afinal esta sempre foi à maior meta humana: Conseguir o máximo com o mínimo de esforço possível. Claro, nos tempos em que a produção de qualquer coisa era rústica e de extrema dificuldade, nos tempos em que trabalhar (trabalhar mesmo!) era necessário para continuar a viver, esta meta fazia todo sentido. Mas e hoje em dia? Nestes tempos onde tudo é produzido em escala desnecessária para que sejam saciados os bolsos dos “grandes homens” de nossa economia? Nestes tempos onde temos a obrigação de estar no ambiente criado para o trabalho, mas não a obrigação de trabalhar?
O mundo mudou, mas nossa meta não. Estamos em um trem desgovernado, sem freios. Um trem que atingiu a velocidade que necessitava, mas que não para de acelerar. Um trem controlado por maquinistas que já não se importam com os passageiros nem com os trilhos. E o mais triste, um trem cujos passageiros já não sabem ou fingem não saber onde querem desembarcar.

Talvez seja a hora de mudar o rumo deste trem...



Outras Frequências (Engenheiros do Hawaii)

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o caminho mais curto, produto que rende mais
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
um tiro certeiro, modelo que vende mais

mas nós dançamos no silêncio
choramos no carnaval
não vemos graça nas gracinhas da TV
morremos de rir no horário eleitoral

seria mais fácil fazer como todo mundo faz
sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás
seria mais fácil fazer como todo mundo faz
o milésimo gol sentado na mesa de um bar

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim

mas nós vibramos em outra freqüência
sabemos que não é bem assim
se fosse fácil achar o caminho das pedras
tantas pedras no caminho não seria ruim

seria mais fácil fazer como todo mundo faz...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Faíscas entre EUA e China

O artigo abaixo refere-se a inevitável disputa política-econômica EUA x China. Ocupando as posições das duas mais prósperas economias mundiais, o poder destes países é grande em demasia para uma colaboração aprofundada entre ambos. As medidas para a aceleração de crescimento de uma diretamente afeta o crescimento da outra.
Até provar-se o contrário, a rivalidade entre estes dois gigantes é uma ótima oportunidade para o Brasil. Rivalidade é sinônimo de concorrência, e para um fornecedor é sempre bom uma maior cartela de grandes clientes. (veja aqui opinião do parceiro ECAPO sobre o paradigma).

Segue artigo:
Retirado de BusinessWeek

Os laços entre EUA e China provavelmente vão se deteriorar este ano com o aumento das tensões comerciais entre os dois países, o que representa o maior risco geopolítico deste ano, de acordo com um relatório elaborado por um grupo de consultoria de risco político. “Apesar de o fato de que tanto o presidente Obama e o presidente Hu Jintao na China desejarem ter um bom relacionamento, os indicadores subliminares são de que essa relação está se dirigindo para águas mais perigosas”, disse David Gordon, diretor de pesquisa do Eurasia Group de Nova York e ex-chefe de planejamento de políticas do Departamento de Estado no governo do presidente George W. Bush, em uma entrevista para o canal de televisão Bloomberg. Com eleições para o Congresso em novembro e continuidade da elevada taxa de desemprego nos EUA, a política da China de atrelar o yuan ao dólar ficou sob críticas crescentes, disse Gordon. “Desde que você tem um crescimento de 10% na China e 10% de desemprego nos Estados Unidos e eleições chegando em médio prazo, isso é um mau presságio para as relações EUA-China”, disse. Outros grandes riscos globais em 2010 incluem um regime cada vez mais instável no Irã e divergências políticas fiscais na Europa, disse o grupo em relatório.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Será o fim do império Google?

retirado de Knight Center for Journalism

Jornais planejam deixar conteúdo de fora do Google

Editoras de jornais de Denver e Dallas podem se unir a Rupert Mardoch e seu conglomerado de comunicação News Corp., e bloquear parte de seu conteúdo no site de notícias da Google, informa o diário El Economista, com informações da Bloomberg.
A News Corp., segunda maior empresa de mídia dos Estados Unidos (atrás apenas da Disney), está em negociação com a Microsoft para entregar os direitos exclusivos para difusão de seus conteúdos do novo portal da companhia de software, Bing, informaram os jornais Financial Times e El País.
A Corporação Australiana de Radiodifusão acrescenta: “Microsoft e Rupert Murdoch uniram forças contra um inimigo comum. (...) A Microsoft quer transformar seu próprio sistema de busca, o Bing, em um verdadeiro concorrente da Google”.
Murdoch já havia ameaçado este mês remover todo o conteúdo de seus jornais – inclusive o Wall Street Journal e o Times de Londres – como parte dos planos da News Corp. de cobrar por todo seu conteúdo online.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O outro lado do aquecimento!

O artigo abaixo, retirado da UOL, exibe a opinião de um importante climatologista brasileiro. Segundo ele, o discurso de aquecimento global, não é inventado, e sim, recortado em partes para enfatizar uma inconveniência que talvez não seja tão verídica.
Fica claro agora, a facilidade em manipular questões científicas de grandes proporções politicas e sociais. Indiferente da veracidade do artigo abaixo, jamais deveria haver um abismo tão colossal entre um embasamento científico que defende uma tese e outro que a reprime, ainda mais em embasamentos tão importantes para todo o planeta. Há muitas coisas erradas nesta história e muitos interesses em risco.


"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul

Por Carlos Madeiro
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.








Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.
UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.
UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.
UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.
UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.
UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.
UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de  Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.
UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.
UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Real Perigo

Retirado de The Washington Post

O país do momento é o Brasil, aquele caldo de nacionalidades de quase 200 milhões de pessoas. Uma democracia próspera, que tem um presidente muito popular e acentuada queda da pobreza. Para manter seu sucesso maravilhoso nos trilhos, o Brasil pode ter que fazer algo que horroriza seus diplomatas: enfrentar a China. A vulnerabilidade do Brasil vem de sua moeda, o real, que saltou um terço em relação ao dólar no ano passado. Um novo aumento pode prejudicar os exportadores e tornar impossível aos produtores nacionais competir com as importações baratas, perfurando a vitalidade em que o milagre brasileiro é predicado. As forças motrizes (de valorização) do real não estão prestes a se inverter. O primeiro indicador é á fragilidade da economia dos EUA, que faz com que o Fed (banco central dos EUA) mantenha as taxas de juro baixas, induzindo o capital a procurar retornos mais elevados em quaisquer lugares. O Brasil é o destino favorito: suas taxas de juro são altas e as condições financeiras inspiram confiança. A segunda força motriz que está fortalecendo o real é a China. No último ano a China voltou a atrelar sua moeda ao dólar, então o yuan seguiu a queda da divisa norte-americana, martelando a capacidade do Brasil de competir com os produtos chineses. Enquanto isso, o ilogicamente fraco yuan atinge produtores em outros países, encorajando os bancos centrais a manter taxas baixas de juro e levando mais capital ao Brasil.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O Tio Sam dividiu o trono!


A pouco tempo atrás acompanhamos de nossos televisores (e somente por eles) a tão temida Crise Mundial, acontecida graças ao problema de crédito americano, problema este que transferiu-se para todo o globo através do mutualismo econômico EUA - Resto do Mundo. Quem não sucumbiu ao pânico durante esta crise, pode observar um interessante acontecimento: Países, até ali, vistos como pouco influentes foram definitivamente enxergados como futuras potencias, em especial a China, economia em clara e agressiva expansão que pouco foi abalada pela crise .

Incontestavelmente os americanos vêm perdendo espaço política e economicamente, deixaram de ser o único ponto de referência em autonomia e apoio e acabaram abrindo espaço para a concorrência. É claro que em questões militares os EUA ainda é o principal negociador, mas em um mundo onde cada vez mais as grandes guerras são travadas de terno e gravata o poderio bélico, como o EUA, deixa de ser tão influente.

A concorrência citada acima trata-se de mais dois "gerenciadores de economias", os únicos que podem fazer frente ao ex-imperialista EUA, são eles:

A China, que com sua barata mão de obra, produção e exportação descontroladas, aumenta seu PIB a cada minuto que passa, tornando-se uma atrativa forma de investimento;

E a já conhecida Europa, que pelo avanço tecnológico, organização e padrão de vida elevado, é modelo para muitos países em desenvolvimento.

Contudo, o Estados Unidos está longe de ser uma massa falida, apesar da especulação, a maior economia do mundo e fonte de investimentos ainda é ele, e como sentiu morder seu calcanhar provavelmente acordará e buscará soluções rápidas para seus impasses, fazendo com que está batalha por aliados fique apenas mais apimentada, e para nós segundo mundo, atrativa!

O Brasil apesar de toda sua autonomia em questões sul-americanas, e de sua riqueza natural absurda, é apenas um jovem inocente cheio de energia no meio desse mundo de ricos e larápios macacos velhos, a administração dos variados e abundantes recursos tupiniquins é de suma importância para a agilidade no desenvolvimento, pois é certo que o crescimento virá, agora é escolhermos se ele vem de avião ou a nado.