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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ensino Superior Privado: Os alunos farão à diferença.

Um breve ensaio sobre as questões da educação no Brasil para as classes C, D e E.

Basicamente, o desenvolvimento de mercado de bens duráveis é tido sempre na seguinte ordem: Quantidade depois qualidade. Primeiro você vende o máximo que pode para todos, quando vê que todos já possuem seu produto, tenta criar algo melhor para substituir aquilo que já vendeu. Logo se percebe que o melhor incentivo para o avanço em qualidade destes produtos é a saturação do mercado. Felizmente, tratando-se de ensino superior privado, isto vem acontecendo.

Faça uma estatística de quantas pessoas cursavam graduação em 2000 e quantas cursam agora. Não tenho dados, mas arrisco dizer que a diferença é enorme. O mercado de educação superior se expandiu e com ele cresceram as opções. Se antigamente você, aluno de escola pública, de classe C ou menor, só tinha a opção de cursar ou não graduação na faculdade mais próxima e ainda assim com muito custo, hoje seu leque de opções é muito maior.

E quando podemos escolher, claro, tendemos para o melhor. E como definir qual universidade é melhor? Instalações? Sim. Corpo docente? Sim. Nível intelectual dos alunos e futuros colegas? Esse, sem dúvida, é o grande diferencial. Por que? Se a média de uma classe, em uma escala de 0 a 10, é 5, a classe é considerada mediana, se a classe é mediana, terá um ensino mediano, com um professor exigindo apenas o mediano e os alunos se tornaram profissionais medianos. Fato, indiferente do nível do professor, da qualidade das instalações, o que define seu aprendizado é você... quando você estuda em particular. Se você está em uma sala com 50 pessoas, o que define o aprendizado sois vós, 50 alunos, você terá de acompanhar sua classe e, fatalmente, poderá ter sua capacidade sub-aproveitada caso a sala esteja inferior ao seu nível.

Logo, a melhor medida para uma universidade se destacar é a seleção do aluno pela sua capacidade intelectual. Não dá para ela selecionar alunos por sua capacidade financeira, cobrando preços muito altos, pois se o futuro estudante é provido de um grande capital financeiro, certamente ele estudou em escola particular até ali e fará uma universidade federal. Também não dá para a faculdade simplesmente aceitar qualquer um que possa pagar as mensalidades, como acontece hoje, já que, como foi dito, a partir de agora temos escolhas e se vermos que uma instituição se nivela por baixo, certamente não será escolhida, ou será apenas pelos piores alunos, tendo cada vez menos prestígio.

Esta medida, se utilizada pelas universidades privadas, também influenciaria no ensino precedente ao superior. Pois hoje, o ensino superior privado é nivelado e não exige muito para ser alcançado, financeira e intelectualmente, logo, para o aluno que cursa ensino fundamental e médio em escola pública, tanto faz estudar muito ou pouco, pois o que lhe espera é, todavia, o mesmo nível de educação superior. Se fizermos com que as faculdades privadas tenham escalas produzidas através da disposição intelectual de seus alunos, incitaremos maior aplicação destes. Por exemplo, tendo as universidades A, B e C, onde A tem um vestibular muito difícil, B médio e C fácil e todas cobram o mesmo valor de mensalidade, um aluno que objetiva ser um grande profissional certamente gostaria de cursar sua graduação na universidade A, pois, pela teoria aqui exposta, é a melhor, e para cursar nesta universidade ele precisaria apenas estudar mais, não necessariamente ganhar mais.

Claro, há alguns ou vários “poréns” que entravam o desenvolvimento da educação nestes moldes. Mas acredito que, no geral, este seria um grande avanço na busca por uma educação de qualidade para todos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia da Contabilidade

Parabéns profissionais, estudiosos e simpatizantes da contabilidade!!! Domingo, 25/04 foi o dia do contabilista, profissão de elevada importância na sociedade atual, profissão esta a qual pertenço.

Em homenagem a esta indispensável profissão nada melhor que falar de um pioneiro do assunto, o homem que escreveu seu nome na história da Administração Científica e da Contabilidade através da publicação de “Summa de Arithmetica, Geometrica, Proportioni et Proportionalita”, Frei Luca Pacioli.

Il Paciolo, nascido em San Sepolcro em uma época de ouro da Itália, é um dos maiores nomes da contabilidade, se não o maior. Através de seu livro citado a pouco apresentou para o mundo o método que até hoje é utilizado pelos contabilistas, o ‘método das partidas dobradas’.

Frei Luca, junto a Da Vinci, Botticelli, Maquiavel, Michelangelo e outros gênios tornaram o período renascentista uma das épocas memoráveis da história do homem. Neste tempo cultuava-se a arte profunda, a ciência da arte, seus desdobramentos, seus porquês...

Apesar de Frei Luca Pacioli ser estudioso das ciências exatas, era grande apreciador das artes plásticas, tanto que, escreveu um livro sobre as “Divinas Proporções”. Diz histórias que fora ele que as apresentou ao seu saudoso amigo Leonardo Da Vinci.

Luca Pacioli lecionou em grande parte da Itália, para crianças, universitários, duques... morreu em 1517, deixando um legado de difusão cultural que jamais morrerá.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O sapo, a panela, o terremoto e o Haiti


Diversas vezes assisti o documentário "Uma verdade inconveniente" de Al GoreCada vez que o fazia, possuía novas perspectivas, e acabava por analisar pontos diferentes no filme o que me causava uma metamorfose de opiniões. Em paralelo, a historieta do Sapo na Panela era algo que imutavelmente me chamava à atenção neste filme:

- Um sapo pula dentro de uma panela de água fervendo. Ele pula pra fora imediatamente, pois a súbita mudança de temperatura o causa um choque.
- Mas se o sapo pular na água morna e a água ir esquentando aos poucos, ele não sentirá a mudança, não sairá da água e por fim morrerá.

Notaram a semelhança com o comportamento humano? Nós, a sociedade de prepotentes racionais, quando temos algum choque, uma catástrofe natural ou um atentado terrorista por exemploprontamente buscamos remediar a situação. Tomamos as medidas necessárias até que o problema, enfim, esteja esquecido resolvido. Já se o problema é inserido em doses homeopáticas vamos adaptando-nos a ele, até que não pareça mais um problema, pareça apenas uma dura indiferente irremediável realidade cotidiana.


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O Haiti... a o Haiti, um dia chamado de "a jóia das Antilhas" tanto produtivo que era. Produtivo e usurpado pelos franceses, seus colonizadores, a um ponto que, para se ter uma idéia, 50% do PIB francês da época era provido desta colônia centro-americana. Mas essa mamata um dia teria que acabar. E acabou! Poucos anos após a abolição da escravatura, adquirida com luta, em 1803 finalmente o Haiti declarou-se independente. E declarou também, sem perceber, o suicídio econômico.
Como a grande maioria dos países da época era escravista, o Haiti, sendo temido por ser o primeiro país americano livre da escravatura, foi boicotado comercialmente durante 60 anos, o que rendeu uma grande miséria. Se isso não bastasse, anos depois, a França cobrara uma dívida referente à indenização para com os ex-donos de terras e escravos haitianos. O juro interminável desta dívida que fora paga durante 80 anos drenara ainda mais a ínfima economia do país.

Que o Haiti precisou e ainda precisa de ajuda é de indubitável certeza. Os países que o cercam ao redor do globo, mesmo depois do fim do bloqueio comercial, pouco fizeram para ajudá-lo. O EUA ocupou-o militarmente no início do século XX, única e exclusivamente para defender seus interesses no território. Durante a guerra fria apoiaram um líder conhecido como Papa Doc, o qual com uma feroz e violenta ditadura comandou o Haiti até a década de 70 quando morreu e deixou o governo nas mãos de seu filho, Baby Doc. E dá-lhe mais ditadura e violência.

Com um passado de assassinatos e deposições políticas, finalmente em 2004, com um pedido do interino no governo, Bonifácio Alexandre, o Haiti requisitou a assistência da ONU. Esta, que ainda não havia feito nada em prol do miserável país, enviou uma tropa de 6.700 homens na missão de paz MINUSTAH, comandada pelo Brasil e que perdura até os dias de hoje.


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Retirado de Wikipédia

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas, com magnitude 7.0 na escala de Richter, atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto, estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão, embora fontes noticiosas afirmem que pode chegar aos 200 mil, e o número de desabrigados pode chegar aos três milhões. Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do país mais pobre do continente americano.


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Ficou clara a correlação entre os títulos? O terremoto 7.0 que atingiu o Haiti é como a panela com água fervendo que, devido ao choque, faz com que o sapo tenha uma pronta resposta. Já a historia haitiana é como a panela com água que ferve aos poucos e que o sapo não dá a devida importância, acostuma-se com o aumento da temperatura, e por fim, morre.
Neste instante todo o mundo está contemplando o horror haitiano. Sentindo muito pelos milhares de pessoas mortas no sismo.
Bom, se analisarmos, foram milhões as pessoas mortas pela desnutrição, pela miséria e pela violência ao longo da história haitiana. Bem mais que as mortas no terremoto. Se este terremoto foi considerado pela ONU a maior catástrofe natural desde o seu surgimento, o Haiti é uma das maiores catástrofes sociais da história.
A verdade, nua e crua, é que pouco nos lixamos para o Haiti, como pouco nos lixamos para a África, como pouco nos lixamos para qualquer que seja o necessitado sem laços familiares. A lei de talião é da natureza humana. Se pudéssemos escolher entre o mínimo necessário para todos ou o máximo possível para nós mesmos, não hesitaríamos na seleção da segunda alternativa. Se a ajuda que está chegando agora dos países ricos para a reconstrução do país houvesse vindo a anos atrás, talvez o Haiti nem precisaria mais de ajuda. Mas não o fizeram antes porque não enxergavam algo “tão pequeno” quanto a miséria da população, não o fizeram por preguiça.
O sapo aos poucos pula fora da panela com água fervendo do terremoto no Haiti. Mas infelizmente está dormindo em uma panela com uma água que apenas esquenta a cada dia, uma panela bem maior e mais perigosa que a do terremoto, a panela chamada egoísmo.






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Último discurso de doutora Zilda Anrs, uma das poucas que realmente se importavam com o próximo.




referências:



Uma verdade inconvenienteAn Inconvenient Truth , EUA2006 - 100 min - Documentário


Pesquisas sobre Haiti: Wikipédia e Blog Mirian Leitão


Lei de Talião - "Olho por olho, dente por dente"



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Impressões Novo Enem


Confesso que sai da sala 8 do bloco B no domingo um pouco angustiado. O segundo dia do Enem realmente fora cansativo, até mais que o imaginado, pois mesmo tendo o feito já no sábado, a prova de domingo conseguiu superar qualquer preparo prévio.
No segundo dia foram 90 questões que, simplificando, eram de português e matemática mais a redação. Para a redação foi disponibilizado uma hora além das quatro de costume, ou seja, cinco horas de exigido raciocínio. Cansativo? Além do suportável, porém mesmo cinco horas não foram suficientes para que eu conseguisse terminar o questionário de modo adequado. Dei uns dez a quinze chutes cegos.
Acredito que em relação à geral, ainda me sai bem. Dos muitos colegas que participaram a grande maioria, para não dizer todos, constataram-me que metade das respostas veio de palpites, nada de inesperado.  As intermináveis páginas, cada uma com duas ou três questões e textos relativamente grandes, eram um desafio a superar, um tédio. Quando as letras começaram a embaralhar-me as vistas, veio o pensamento: Será que havia sido previsto, pelo ministério da educação, tamanha dificuldade e cansaço? Era essa a proposta, uma prova de resistência psicológica e raciocínio rápido? Bom, se era, foi direcionada para  público alvo errado!
O ensino da escola pública brasileira é de indubitável baixa qualidade. Como prova viva disto, vi no Enem um quebra-cabeça muito além do que temos a capacidade de montar. Talvez, na concepção de Haddad, esta dificuldade da prova seja um meio de tornar explícita a real situação da educação no país e assim, de feridas a mostra, buscarmos um meio de melhorá-la. A impressão que me fica, no fim das contas, é que o Novo Enem é um importante passo para a educação brasileira, se não é diretamente na melhora de qualidade, ao menos serve para a análise mais aprofundada dos problemas geralmente maquiados por motivos políticos. O novo Enem não é a solução, mas faz a busca por ela torna-se um pouco mais fácil.