quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sonhos cotidianos e o fantástico mundo das narrativas



Quando Oscar Wilde disse "A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida" creio que pecou em um pequeno detalhe: A vida nem sempre imita arte. Apenas deseja imitar!
No último sábado, cedendo à insistência da namorada, fui assistir ao filme "Lua Nova" que já é um grande sucesso de bilheteria (não tanto de crítica) atraindo milhões de fãs (99% do sexo feminino) para as poltronas do cinema. O filme em questão pertence a  "Saga Crepúsculo", cuja narrativa insossa jamais me permitira entender qual o motivo de tanta popularidade do conto. Seriam os garotos sem camisa dos filmes os responsáveis? Seria a "boa" e velha estória de vampiros? Seria o romance e o triângulo amoroso que discorre por entre o roteiro? Seria a semelhanças das fãs com a protagonista?
O fato é que o grande atrativo de Crepúsculo, como o de boa parte dos blockbusters americanos, é a interatividade entre a realidade contemporânea e o fictício instigante, a soma de mundo normal com fatos imaginários. Existem mesmo muitas garotas com personalidade parecida com a de Bella (a mocinha do filme), no entanto as experiências vividas pela personagem são, ao mesmo tempo, impossíveis e excitantes para estas meninas. Logo elas vêem nas telas do cinema um sonho tangível, se vêem no lugar das personagens, um desejo realizado por duas horas. Por isso tantas fãs.
É tudo bobagem? Coisa de mulherzinha? Então quero que atire a primeira pedra o garoto que nunca sonhou ter sido picado por uma aranha radioativa, ou melhor, o homem que nunca imaginou ter capacidade suficiente para varrer as ruas de assassinos e ladrões os quais assombram nossa sociedade. São nas narrativas que podemos satisfazer nossas vontades, encontramos personagens com o poder de fazer o que queríamos poder fazer, são nelas que obtemos um pouco mais de felicidade.
"A vida deseja imitar a arte muito mais do que a arte imita a vida" - Talvez porque a arte parece ser sempre tão perfeita. Até em suas irregularidades, distúrbios, parece sempre completa, signifitiva, diferente de nossas vidas sem sentido as quais apenas vivemos, sem rumo traçado, sem funções convenientes, apenas com a certeza de que irá acabar, com a certeza de que um dia nos desligarão da Matrix (por que não?).

5 comentários:

  1. É isso ai Alessandro, muito interessante seu post, eu mesma adorei o filme Crepusculo, mesmo, sendo algo impossivel. Me fez viajar para um mundo que gostaria que fosse real. Acho que isso é o interessante dos filmes, novelas, é exatamente tirar o expectador da realidade e transportar para um mundo em qual ele gostaria de viver.
    Parabéns, adorei o post.

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  2. Bom, Alessandro,

    Não é mais novidade que os jovens - especialmente eles - se inspiram na arte (termo muito além do que é merecido a produtos como Crepúsculo). Mas as coisas parecem piorar a cada dia. No entanto, quem está piorando, as pessoas ou os produtos culturais?

    Espero que nossas namoradas não nos peçam mais para assistir filmes como Lua Nova.

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  3. Não diria que a comunidade se inspira na arte, acredito que o verbo mais cabível para esta oração seria fugir. Na arte é onde fugimos da realidade conturbada.

    Como o nome mesmo diz, são "produtos" culturais, que por si só não existiriam. Mas acredito que é tudo parte de um ciclo vicioso, que só deixará de existir se começarmos a nos preocupar em demonstrar as coisas boas e deixar de enfatizar as ruins.

    Obrigado pela opinião Anderson!

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  4. Parabéns bem filosófico e objetivo.

    Concordo totalmente no fato de que as pessoas se projetam para os filmes, seria uma forma de realizar o impossível.
    Só uma observação ao comentário do Anderson , acredito que a arte esta em tudo aquilo que demonstramos para fixar a atenção das pessoas com a nossa habilidade. Logo não podemos julgar que não existiu a arte nos dois filmes.
    A arte varia de acordo com a sua cultura e época. Talvez se Einstein e Nietzche ouvisse o tipo de música tocada hoje, teriam que assimilar algumas habilidades ,como as do rock, como arte. Já que para ambos a música clássica era mais do que uma arte.
    " A música clássica é a prova do que Deus existe". (Albert Einstein)

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